Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Sol, Flores e Primavera

por Moira, em 18.05.10

Uma das coisas que mais aprecio na Primavera é poder acordar com o sol a entrar pelo quarto a ouvir o chilrear dos passarinhos e passear pelo campo.

Da semana que andei pelo norte recordo os campos cobertos por um manto de pequenas flores salpicado de lilás, rosa, azul, branco e amarelo.

As temperaturas, tal como agora estavam amenas e convidativas ao descanso e ao passeio, foi o que fizemos.

Comi coisas novas, outras já minhas conhecidas, lembrei-me da Neide do Come-se e da Rute do Publicar para Partilhar.

A primeira porque é conhecedora de quase tudo o que se come e adoraria ter feito este passeio pelo campo comigo, a segunda porque tem como lema na vida a partilha e tal como eu ama a natureza.

E é isso que hoje vou fazer, partilhar convosco duas delícias que se comem, daquelas que não se vendem nos supermercados, nem se cultivam nas hortas, a primeira chama-se Merujas ou Regajo (leia-se Regarro), o seu sabor é delicado e muito agradável e faz uma das melhores saladas que alguma vez provei, leva apenas um pouco de cebola nova e tempera-se com sal, azeite e vinagre.

A segunda dá pelo nome de Norsa, planta trepadeira comestível que cresce junto às sebes que dividem os campos, na zona de Travanca no nordeste transmontano. O seu sabor fica algures entre o sabor dos espargos e o sabor dos grelos de nabo, apanham-se apenas os rebentos ou pontas, retiram-se as guias e utilizam-se da mesma forma que os espargos, simples, salteadas com azeite e alho ou misturam-se numa tortilha com ovos.

Ao provar estas iguarias, estranhas para os citadinos, recordei o esparregado de urtigas que a minha mãe costumava fazer, e também o de rama de cenoura e deu-me uma enorme vontade de um dia me mudar para o campo deixando-me levar por um sonho antigo.

Mostro-vos ainda um verdadeiro pão transmontano, cujo tamanho seria impensável para vender numa cidade.

E para finalizar estes relatos de viagem, comi um Botelo com Cascas, cozinhado lentamente numa linda panela de ferro. Para quem não sabe o Botelo é feito da mesma forma que o salpicão mas leva carne com ossos, as cascas, são as vagens de feijão que são apanhadas ainda verdes, mas quando o feijão já está completamente formado, as vagens são então secas e posteriormente hidratadas como se faz usualmente com o feijão, para depois serem cozidas (vagens e feijão), este cozinhado tinha ainda uma outra coisa que eu adoro, presunto cozido, que é uma iguaria e tanto. Não tive oportunidade de vos fotografar nem o botelo, nem as cascas, ficará para uma próxima oportunidade, mas dá para ver como foi cozinhado.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:11


WOOK - www.wook.pt


52 comentários

De Helen a 17.11.2010 às 01:19

A sopa chama-se Sopa de Cascas e só se faz na época fria e é uma refeição , porque devido aos ingredientes é muito pesada.Na minha casa nunca a fizemos com botelo mas sim com presunto , salpicão e chouriças de carne acompanhada com as cascas e batata. Tudo isto feito no pote e a lareira pois o tempo de cozedura das carnes é lento.Depois retirava-se as carnes algumas batatas e cascas e estas são servidas numa travessa o que fica no pote nomeadamente as batatas são esmagada com um garfo mantendo um aspecto rude mas excelente e surge a sopa servida em malgas .No dia em que se fazem as Cascas é para estar todo o dia com a família e amigos pois a refeição é para se ir comendo ao longo do dia,a lareira deverá estar sempre activa e o pote ligeiramente afastado .Poderá varia um pouco de casa para casa mas este é o ritual que continuo a fazer na minha casa e que tentarei manter apesar da distância. Pois a partir de Outubro só já sonho com a sopa de cascas...

De Moira a 17.11.2010 às 12:50

Helen,
Obrigada pela visita e pelo comentário. Ainda não provei dessa sopa feita no pote, que por ali me parece que se chama apenas panela, mas vou averiguar se por acaso lhe atribuem algum nome em mirandês. Ás vezes apenas de uma aldeia para a outra mudam os nomes das coisas, Trás-os-Montes é assim mesmo cheio de surpresas e encantos é por isso que eu gosto tanto de passar por lá.

Comentar post



Fotos no Flickr




Tradutor





Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D