
Recentemente, por intermédio da Pipoka, conheci a Fátima Moura, autora do livro "Portugal - O Melhor Peixe do Mundo" na altura tivemos uma breve conversa de café em que se falou de comida, de livros e de cozinha em geral.
Em comum temos uma enorme admiração pela Dª Maria de Lourdes Modesto, de quem a Fátima é amiga de longa data e assim surgiu a ideia de um almoço, que se concretizou no passado fim de semana.
As convidadas levaram entradas e sobremesas e a Fátima ofereceu-nos um magnífico almoço de enchidos tradicionais portugueses.
Sabendo quem seria a ilustre convidada, a minha maior dificuldade foi a escolha da sobremesa, foi difícil não sentir o peso da responsabilidade. Depois de ter pedido sugestões no Facebook fui também folhear o meu caderninho de receitas e foi logo no início que encontrei esta tarte de feijão, receita da minha amiga Bela, colega de escola com quem partilhei venturas e desventuras de adolescente.
Obrigada Fátima por nos teres proporcionado este encontro e um agradecimento especial ao Mário Cerdeira por ter captado alguns dos melhores momentos.
Tarte de Feijão
Ingredientes:
Para a massa
Para o recheio
Preparação:
da massa
Cortar a manteiga fria aos cubinhos e misturar com a farinha até ter uma mistura areada. Juntar o vinho moscatel, 1 colher de cada vez (pode não ser necessário todo) até conseguir formar uma bola com a massa. Deixe repousar durante meia hora.
do recheio
Bater o puré de feijão com o açúcar, juntar os ovos e as gemas e continuar a bater até obter uma mistura fofa, por fim adicionar a manteiga derretida mas fria, envolvendo com cuidado para não baixar a mistura.
Estender a massa e forrar uma forma de tarte, picar o fundo da massa com um garfo para a massa não enfolar ao cozer.
Verter a mistuta de feijão sobre a massa e levar ao forno a 180º durante 10 minutos, depois baixar para os 150º e deixar cozinhar mais 20 a 30 minutos. Está cozida quando ao espetar um palito no centro da tarte, ele sair seco. Se necessário colocar uma folha de alumínio por cima, para não queimar.
Antes de servir polvilhar com uma colher de sopa de açúcar em pó.
Notas: Para que a textura da tarte fique perfeita, costumo retirar a pele aos feijões antes de os transformar em puré e descarto a película exterior da gema do ovo. Para este último procedimento a melhor maneira de o fazer é colocar as gemas sobre um passador do leite e furá-las de lado com a ponta de uma faca deixando-as a escorrer para outro recipiente, vai ver que no final fica uma película que parece uma nata.
Para quem estiver interessado a entrada que levei foi esta muito bem captada pelo Mário aqui.
Estamos de parabéns, o Tertúlia completa hoje 4 anos de existência.
É verdade, o tempo passa muito depressa, parece que ainda ontem estava a escrever o meu primeiro post.
O ano que passou não foi muito fácil mas continuamos por aqui de pedra e cal, escrevendo textos, experimentando receitas e partilhando ideias.
Este ano não houve convidados especiais, mas ainda assim, não quisemos deixar de festejar mais um aniversário, este ano com um desafio solidário de encontrar receitas para a Maria. Quem quiser participar ainda pode fazê-lo até ao fim do mês, está tudo explicadinho aqui.
A minha opção foi um pudim, para que a Maria, apesar de estar longe da família e dos amigos, possa ter um Natal mais doce.
Pudim de Abóbora
Ingredientes:
Para o caramelo
Para o pudim
Preparação:
Do caramelo
Levar o tacho ao lume com o açúcar, deixar aquecer lentamente até que o açúcar comece a ganhar cor, sem nunca abanar o tacho ou mexer com colher. Quando o açúcar apresentar uma cor dourada adicionar a água quente com muito cuidado pois o açúcar vai borbulhar furiosamente e pode queimar, o melhor será adicionar aos poucos.
Colocar o caramelo numa forma e rodar a forma para a forrar totalmente com o caramelo, (cuidado para não se queimarem) reservar.
Entretanto colocar a água a aquecer para o banho-maria.
Do pudim
Esmagar a abóbora com um garfo e misturá-la com o açúcar.
Bater os ovos como de se fosse para uma omeleta.
Juntar a abóbora aos ovos, bater de novo com o garfo e por fim adicionar o leite mexendo de novo com o garfo (isto tudo demora no máximo 5 minutos a fazer).
Colocar o preparado na forma e colocar a forma dentro do tacho com água quente, assim que a água começar a querer ferver, baixar o lume e deixar cozinhar em banho maria cerca de 50 minutos, nos últimos 20 minutos colocar uma tampa (a água não pode ferver deve apenas borbulhar ligeiramente). No final desse tempo retirar a tampa com cuidado, para não escorrer a água do vapor para cima do pudim e espetar um palito ou a ponta de uma faca no pudim, se sair seco está cozido. Deixar arrefecer completamente para desenformar (eu deixei de um dia para o outro, se desenformar o pudim quente, ele parte-se).
Notas:
A razão de ser das notas abaixo deve-se ao facto de a Maria estar limitada no que diz respeito aos utensílios de cozinha e também, como ela própria diz, não ter muito jeito para a cozinha.
Para a confecção deste doce usei os seguintes utensílios: 1 garfo, um tacho, 1 prato, 1 chávena, 1 lata de feijão vazia e lavada, das grandes porque a Maria não tem formas de pudim.
Para as medidas ficarem correctas, o ideal é começar por medir os ovos, fixar o espaço que ocupam, e medir os restantes ingredientes preenchendo exactamente o mesmo espaço que ocuparam os ovos.
A abóbora para o pudim deve ser cozida com casca de meia laranja e um pau de canela, à falta desta pode-se usar uma colher de café de canela.
Depois de cozida escorre-se e deixa-se arrefecer completamente antes de a esmagar. Para ter a certeza que a abóbora não vai com água para o pudim antes de a esmagar com um garfo espreme-se com a mão, como se estivéssemos a espremer uma esponja.
As medidas acima deram para dois pudins com cerca de 9 cm de diâmetro.
Para quem vive por cá, pode usar caramelo de compra, se tiver forma de pudim deve usar a chávena cheia em vez da meia chávena que dá apenas dois pudins pequenos. Usando a forma de pudim que tem tampa o tempo de cozedura deve reduzir quase para metade. Também pode ser cozido no forno em banho maria. Este pudim não necessita de batedeira, basta um garfo ou uma vara de arames.
A charlotte é uma sobremesa que sempre fez parte do meu imaginário, tem uma apresentação excelente e até parece muito elaborada, mas na realidade até é relativamente simples. Procuradas as receitas acabei por eleger esta a que fiz algumas alterações por minha conveniência e pareceu-me a escolha perfeita para um jantar de amigas, para uma em especial que vinha cheia de saudades de framboesas e outros frutos vermelhos.
A minha primeira charlotte não ficou bonitinha para colocar um laço à volta, mas o sabor compensou a pouca formosura.
Charlotte de Framboesas
Ingredientes:
Xarope:
Creme:
Decoração:
60 g de Framboesas
60 g de amoras
100 g de mirtilos
folhas de hortelã qb.
Preparação:
Forrar com película aderente uma forma de charlotte com 19 cm de diâmetro e 9 cm altura.
Do Xarope:
Misturar a água com o açúcar, levar ao lume até o açúcar ficar dissolvido. Retirar do lume e juntar o rum, misturar bem e deixar arrefecer.
Pincelar os palitos com o xarope de vinho do Porto sem ensopar demasiado (senão não os vais conseguir manter de pé dentro da forma) e colocá-los na vertical a toda a volta da forma.
Cortar os restantes palitos em cubinhos, borrifar com o xarope e reservar.
Do Creme:
Misturar o açúcar com o queijo de forma a obter uma mistura lisa e homogénea.
Colocar as folhas de gelatina de molho em água fria por 2 ou 3 minutos.
Escorrer as folhas de gelatina e misturá-las na água quente, mexendo para dissolver. Deixar arrefecer um pouco e adicionar a gelatina à mistura do queijo creme e misturar bem até ficar homogéneo.
Entretanto, bater as natas geladas com duas colheres de sumo de limão até ficarem firmes.
Com a ajuda de uma vara de arames envolver suavemente as natas na mistura do queijo creme.
Colocar 1/3 do creme na forma, espalhar por cima alguns frutos e alguns cubos dos palitos reservados. Cobrir com mais um pouco de creme, colocar por cima mais alguns frutos e os restantes palitos cortados cobrindo com o restante creme.
É importante que o recheio da charlotte fique ao mesmo nível que os palitos dispostos na vertical, se isso não acontecer, faça uma camada com cubos de palitos até ficar com a mesma altura, ou leve assim ao frigorifico e antes de desenformar corte as pontas dos palitos com uma tesoura.
Levar ao frigorifico até solidificar (4 a 5 horas).
Na altura de servir, desenforme a charlotte para um prato e com cuidado retire a película aderente.
Decorar com os frutos silvestres frescos e folhas de hortelã.
Notas: Esta receita foi ligeiramente adaptada da Charlotte de Framboesa da Andreia, a mentora do Blog Baunilha e Caramelo, um espaço repleto de coisas doces.
Ao todo usei 300 g de frutos silvestres, a Andreia faz um coulis para acompanhar a charlotte, eu optei por servir apenas com a fruta fresca.
Por vezes, essência de uma sobremesa reside na simplicidade.
Meloa com Mel e Vinho do Porto
Ingredientes:
Preparação:
Abra a meloa ao meio, retire-lhe todas as sementes e com a ajuda de uma colher própria faça bolinhas que divide por 2 taças.
Numa taça à parte, dissolva o mel com o vinho do porto.
Regue a meloa com esta mistura e reserve por cerca de meia hora no frio, mexendo de vez em quando para que toa a meloa ganhe sabor.
Sirva frio, polvilhado por nozes partidas ou amêndoa torrada.
Notas: Pode polvilhar com canela ou raspa de limão em vez das nozes.
Para uma versão não alcoólica, substitua o vinho do porto por chá preto.
Se não tiver a colher para fazer bolinhas, corte a meloa em pequenos cubos.
Pode usar outra variedade de meloa e também fica bem com melão.
Usei mel de rosmaninho transmontano, mas pode usar outro a gosto.
O vinho do Porto é um Rozès especial reserva, mas pode usar outro vinho do porto que também não ficará mal.
Há muito que queria fazer esta sobremesa com sabor de Manjar Branco, mas os dias foram passando e foi ficando esquecida.
Aproveitando o meu aniversário, achei que esta seria a altura certa para a experimentar.
É uma sobremesa de textura aveludada e fresca que encontrei faz tempo no Chucrute com Salsicha e a Fer, tal como eu, gosta de receitas práticas, contudo, deliciosas.
Panna Cotta de Côco com Calda de Ameixa Preta
Ingredientes:
para a panna cotta
para a calda:
Preparação da panna cotta:
Colocar a gelatina de molho em água fria.
Numa panela, coloque as natas, leite de côco e o açúcar.
Leve ao lume e aqueça bem, mas sem deixar ferver.
Retire do lume e adicione a gelatina bem escorrida mexendo para a dissolver.
Coloque o preparado numa forma grande molhada ou em taças individuais.
Leve ao frigorifico por cerca 6 horas para solidificar.
Preparação da calda:
Coloque todos os ingredientes num tacho, deixe fervilhar até formar uma calda grossa. Desligue o fogão, deixe arrefecer completamente e sirva com a panna cotta.
Notas: Gostei muito do resultado, mas de uma próxima vez que não tenha crianças em casa, em vez desta calda, farei o Doce de Ameixas com Pedro Ximenez, também do blog da Fer, pois para mim é superior em sabor.
Para quem preferir o manjar branco tradicional, a receita está aqui, mas acreditem que este é bem melhor.
Estou oficialmente de férias, o blog vai ficar parado durante algum tempo, à excepção de duas postagens que ficarão agendadas.
Para celebrar as férias escolhi uma receita daquele que foi o primeiro post do blog Sabores de Canela, que é também uma forma de homenagear a minha amiga Helena que partiu à aventura para terras de Vera Cruz, para ela votos das maiores felicidades.
Tarte de Muesli com Quark e Frutos Silvestres
(para 6 a 8 pessoas)







Blogs meus e da Família
Em Português
Em Espanhol
A mi lo que me gusta es cocinar
La Vida en Buenos Aires y Afines
Em Italiano
Em Francês
Em Inglês
What the hell does a vegan eat anyway ?
Em Alemão
Noutras Línguas
Sobre Pão
Chefs - os meus preferidos
Bebidas
Outras Inspirações Gastronómicas
Outras Tertúlias
LER - Plano Nacional de Leitura
Mulheres Portuguesas do Séc. XX