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Coelho com Habones Zamoranas

por Moira, em 22.09.14

A vila transmontana onde passo férias alguns dias por ano fica mesmo ao lado da fronteira com Espanha, tenho por isso a sorte de poder experimentar alguns dos produtos regionais dos nuestros hermanos a preços agradáveis, se é que me entendem.

De ambos os lados da fronteira há paisagens e costumes em comum, embora a gastronomia tenha características bem diversas.

Na região de Zamora cultivam-se estas habones muito parecidas com as nossas feijocas mas com um sabor distinto.

Neste fim de semana convidei os meus pais para almoçar e resolvi experimentar uma combinação diferente, que tirando as habones, nada tem a ver com a comida tradicional de Zamora, mas que deu conversa para o almoço.

Conta a minha mãe que lá na terra havia uma moça, de nome Maria, recém casada com um espanhol. Rapariguinha nova e sem experiência, não dominava a arte dos tachos.

Um dia perguntou ao marido o que havia de fazer para o almoço.

Ele respondeu-lhe que fizesse coelho.

Ao que ela ripostou: Coelho com quê?

Ele no gozo respondeu-lhe: Faz coelho com feijões...

A moça que nada entendia do assunto lá fez o coelho com feijões, e apesar de ser uma combinação estranha, o espanhol até gostou.

Certo é que com o tempo, lá na terra, quando se fazia alguma comida diferente, dizia-se que era à moda da Maria Pescoa.

Não sei se a Maria Pescoa ainda é viva, mas se for, tenho a certeza que ficará com um sorriso nos lábios ao saber desta minha experiência culinária que teve a aprovação de todos os comensais.

E sabem que mais? Não sobrou nem um feijão.

Coelho com Habones Zamoranas

Para a marinada:

1 coelho partido aos pedaços pequenos

3 dentes de alho

1 colher de café de cravinho em pó da Margão

1 colher de chá de colorau da Margão

meio copo de vinho

3 colheres de sopa de azeite

2 folhas de louro

1 pitada de piment d'Espelette (alternativa: pimenta ou piri-piri)

sal q.b.

Para o guisado:

500 g de Habones Zamoranas (alternativa: feijocas)

1 cebola média

1 chouriço pequeno

1 pedaço de toucinho fumado

6 colheres de sopa de azeite

Preparação:

De véspera coloque as habones ou as feijocas de molho e tempere coelho com um pouco de sal, alho picado, o cravinho, o colorau, o piment d'espelette, as folhas de louro, o vinho e o azeite, misture bem para que todo o coelho fique envolvido no molho e deixe a marinar de um dia para o outro.

Levar as habones ou as feijocas ao lume com bastante água e uma pitada de sal e deixar ferver durante cerca de 1 hora, juntamente com o chouriço e o toucinho fumado.

Num tacho colocar 6 colheres de sopa de azeite e alourar o coelho de ambos os lados, juntar a cebola picada, deixe alourar e adicionar o toucinho fumado e o chouriço cortado aos pedaços pequenos. Juntar um pouco do caldo de cozer as habones ou as feijocas e deixar cozinhar o coelho até estar tenro.

Por fim adicionar as habones ou as feijocas mexer com uma colher, se necessário adicionar mais um pouco de caldo, reduzir o lume para o mínimo e deixar fervilhar em lume brando, mais uns 15 a 20 minutos para apurar o molho.

Servir polvilhado de salsa picada e arroz branco.

Notas:

Pode substituir as habones zamoranas por feijocas ou por outro tipo de feijão a gosto.

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publicado às 16:39

Todos temos uma história para partilhar

por Moira, em 09.04.14

Qualquer um pode partilhar a sua história, independentemente do lugar onde vive, por isso vamos lá a partilhar histórias com sabor, pode ser uma receita ou o relato de um momento feliz passado em família em que os sabores se misturam com as memórias.

Por cada história a Margão e a McCormick farão uma doação à United Way para ajudar a alimentar aqueles que mais necessitam.

Em Portugal a ajuda irá para o Banco Alimentar e para participar basta passar pelo site da Margão (link acima) e encontram no canto superior esquerdo o link para partilharem as vossas histórias, entretanto deixo-vos a minha:

A minha primeira sopa foi feita mais ou menos nesta altura do ano, há muitos, muitos anos atrás, eu devia ter os meus 12 ou 13 anos e ainda não dominava a arte dos tachos, mas a curiosidade e a vontade de ajudar levou-me para a cozinha.

A minha mãe trabalhava fora, como quase todas as mães deste país e eu na alegria de a poder ajudar resolvi fazer a sopa para adiantar serviço, no entanto, desconhecia que para cozer feijão era necessário deixá-lo de molho por várias horas.

O tacho foi para o lume com a água, o feijão e a folha de louro, e foi fervendo e fervendo sem que se apresentasse cozido, ainda assim resolvi acrescentar os restantes ingredientes, pensando que o tempo levaria a sopa a bom porto, mas claro que o resultado era previsível.

A minha primeira sopa foi um fiasco, os feijões pareciam pequenas pedras que a minha mãe ia pondo à beira do prato enquanto comia o caldo e me dizia que a sopa estava muito saborosa, enquanto eu, triste e cabisbaixa, pensava onde é que estaria o erro, já que tinha feito tudo como via a minha mãe fazer tantas e tantas vezes.

Hoje fazer uma sopa de feijão já não tem segredos e a receita até é bastante simples.

Sopa de Feijão com Couves

Começar por cozer o feijão que deverá ter estado de molho durante cerca de 8 a 10 horas.

Colocar o feijão numa panela de pressão e juntar o dobro da água, uma folha de louro e uma pitada de sal. Fechar a panela e deixar cozer durante cerca de 20 minutos.
Colocar num tacho 3 colheres de sopa de azeite e 1 courgette grande cortada aos pedacinhos, 2 cebolas pequenas picadas, um dente de alho picado, 2 ou 3 cenouras cortadas às rodelas e deixar refogar um pouco. Juntar cerca de 1 litro da água onde cozeu o feijão e deixar cozinhar até a courgette e a cebola estarem praticamente desfeitas. Juntar meia couve coração cortada aos pedacinhos, rectificar o sal, adicionar um pouco de água se necessário e deixar cozinhar até estar macia, adicionar meia chávena de feijão cozido e está pronta a ser servida.

Notas: Para esta sopa pode usar feijão encarnado, feijão catarino ou outro feijão a gosto, excepto o feijão frade que tem um sabor peculiar e não necessita de ser posto de molho. Quanto às couves, nesta sopa usei couve coração mas também fica excelente com couve portuguesa ou repolho. Tudo depende do gosto ou das couves que se têm na horta. Não pesei nada, porque as sopas em minha casa são quase sempre feitas a olho e para esta história apenas repeti o que aprendi ao longo dos anos com a minha mãe, que para mim continua a fazer as melhores sopas do mundo.

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publicado às 15:18

Uma garfada de simplicidade

por Moira, em 28.10.12

Num destes dias chegaram-me a casa uns feijões frescos, que eram tão bonitos, que não resisti a separá-los por cores e a fotografá-los.

Chegaram numa semana cinzenta e chuvosa, pelo que não foi difícil dar-lhes destino, animaram várias sopas e fizeram um dos meus pratos favoritos, que apesar de muito simples é bastante saboroso e reconfortante.

Obrigada Aida!

 

Feijão Guisado com Ovos e Linguiça

Ingredientes:

  • 2 chávenas de feijão fresco
  • 1 folha de louro
  • 1 cebola picada
  • 1 dente de alho picado
  • 1 colher de sopa de calda de tomate
  • 1 cenoura pequena 
  • 1 chouriço pequeno ou linguiça
  • 1 colheres de sopa de azeite
  • 1 colher de sopa de salsa picada

Preparação:

Num tacho colocar o feijão e a folha de louro, cobrir com água e cozer durante cerca de 20 minutos. (usando feijão fresco não é necessário deixar de molho de um dia para o outro e a cozedura é muito rápida)

Colocar o azeite num tacho e refogar a cebola, a cenoura e o alho picados bem pequeninos.

Adicionar o chouriço picado em pedaços pequenos deixar cozinhar por 5 minutos antes de juntar o feijão cozido e um pouco da água de cozer o feijão, temperar com sal, mas muito pouco que o chouriço já é salgado, deixar fervilhar durante cerca de 15 minutos.

Distribuir por taças individuais que possam ir ao forno, fazer uma covinha no centro, colocar o ovo, polvilhar com uma pitada de pimenta e levar ao grill do forno durante 5 minutos. Servir simples com uma fatia de pão quente ou com arroz branco.

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publicado às 23:52

para alguém muito especial

por Moira, em 02.05.12

Recentemente, por intermédio da Pipoka, conheci a Fátima Moura, autora do livro "Portugal - O Melhor Peixe do Mundo" na altura tivemos uma breve conversa de café em que se falou de comida, de livros e de cozinha em geral.

Em comum temos uma enorme admiração pela Dª Maria de Lourdes Modesto, de quem a Fátima é amiga de longa data e assim surgiu a ideia de um almoço, que se concretizou no passado fim de semana.

As convidadas levaram entradas e sobremesas e a Fátima ofereceu-nos um magnífico almoço de enchidos tradicionais portugueses.

Sabendo quem seria a ilustre convidada, a minha maior dificuldade foi a escolha da sobremesa, foi difícil não sentir o peso da responsabilidade. Depois de ter pedido sugestões no Facebook fui também folhear o meu caderninho de receitas e foi logo no início que encontrei esta tarte de feijão, receita da minha amiga Bela, colega de escola com quem partilhei venturas e desventuras de adolescente.

Obrigada Fátima por nos teres proporcionado este encontro e um agradecimento especial ao Mário Cerdeira por ter captado alguns dos melhores momentos.

Tarte de Feijão

Ingredientes:

Para a massa

  • 150 g de farinha
  • 75 g de manteiga
  • 2 a 3 colheres de sopa de vinho moscatel

Para o recheio

  • 250 g de açúcar
  • 125 g de puré de feijão branco
  • 3 ovos + 3 gemas
  • 50 g de manteiga
  • 1 colher de sopa de açúcar em pó para polvilhar depois de cozido

Preparação:

da massa

Cortar a manteiga fria aos cubinhos e misturar com a farinha até ter uma mistura areada. Juntar o vinho moscatel, 1 colher de cada vez (pode não ser necessário todo) até conseguir formar uma bola com a massa. Deixe repousar durante meia hora.

do recheio

Bater o puré de feijão com o açúcar, juntar os ovos e as gemas e continuar a bater até obter uma mistura fofa, por fim adicionar a manteiga derretida mas fria, envolvendo com cuidado para não baixar a mistura.

 

Estender a massa e forrar uma forma de tarte, picar o fundo da massa com um garfo para a massa não enfolar ao cozer.

Verter a mistuta de feijão sobre a massa e levar ao forno a 180º durante 10 minutos, depois baixar para os 150º e deixar cozinhar mais 20 a 30 minutos. Está cozida quando ao espetar um palito no centro da tarte, ele sair seco. Se necessário colocar uma folha de alumínio por cima, para não queimar.

 

Antes de servir polvilhar com uma colher de sopa de açúcar em pó.

 

Notas: Para que a textura da tarte fique perfeita, costumo retirar a pele aos feijões antes de os transformar em puré e descarto a película exterior da gema do ovo. Para este último procedimento a melhor maneira de o fazer é colocar as gemas sobre um passador do leite e furá-las de lado com a ponta de uma faca deixando-as a escorrer para outro recipiente, vai ver que no final fica uma película que parece uma nata.

 

Para quem estiver interessado a entrada que levei foi esta muito bem captada pelo Mário aqui.

 

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publicado às 10:41


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