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Um Livro, Um Rei e Um Doce

por Moira, em 22.02.11

Em comum temos o gosto pela História com H grande, aquela que vem nos manuais e que se aprende na escola, ela é escritora eu gosto de cozinhar, ficámos amigas por um acaso do destino, quando ela se cruzou com uma nota escrita por mim sobre o seu primeiro livro "A Cruz de Esmeraldas".

O tempo passou, ela continuou a escrever, eu continuei a cozinhar, ela acabou de editar o seu terceiro livro D. Dinis e eu resolvi divulgá-lo com uma receita ligada ao Convento de Odivelas, quem quiser espiolhar um pouco mais sobre o livro pode passar pelo blog da Cristina Torrão chama-se Andanças Medievais.e por lá podem encontrar excertos do livro e não só.

D. Dinis é um dos meus reis preferidos, provavelmente um dos reis que mais fez pelo futuro de Portugal, ficou conhecido pelo Lavrador, mas eu prefiro a sua veia trovadoresca e de poeta que a Cristina Torrão tão bem retrata neste seu livro.

Apesar de transparecer por vezes um rei prepotente e autoritário, ele foi um rei justo, empreendedor e fascinante.

Entre muitas outras obras, D. Dinis mandou construir o convento de S. Dinis em Odivelas no ano de 1295 e é lá que está sepultado.

Pouco ou nada se sabia da constituição física deste rei até ao ano de 1938, data em que o seu túmulo foi aberto e se descobriu que tinha cerca de 1,65 m de altura e a dentadura completa, sinónimo que teve uma alimentação saudável ou pelo menos não era um rei guloso, embora na minha teoria os doces nos finais do século XIII e inícios de XIV não seriam muitos, creio que o uso do açúcar na Península Ibérica só será difundido muitos anos mais tarde.

O Convento de S. Dinis ficou famoso, entre muitas outras coisas pela doçaria das Monjas Bernardas, e pela célebre Madre Paula que foi amante do Rei D. João V.

Das receitas do Mosteiro que chegaram até aos nossos dias, e das quais existe um Livro Editado, destacam-se: Os Esquecidos, os Tabefes, a Marmelada e o Pudim da Madre Paula.

Para elaborar um receita ligada ao Mosteiro resolvi comprar O Livro de Receitas da última Freira de Odivelas, gostei muito de umas coisas, fiquei decepcionada com outras apesar de o livro ser muito interessante, quanto às receitas acabei por escolher uma receita de "Kéques" (era assim que se escrevia na época) não sei se foi azelhice minha ou se a receita é assim mesmo, os meus queques, apesar de muito saborosos ficaram mais parecidos com queijadas, certo é que D. Dinis não os provou, mas estes bolinhos fazem parte das memórias de um convento em tudo ligado ao seu nome.

Agora se me dão licença vou beber o meu chá e comer um bolinho.

Queques com Especiarias

Ingredientes:

  • 4 ovos
  • 160 g de manteiga (usei margarina)
  • 160 g de açúcar
  • 160 g de farinha
  • 1 pitada de cravinho e outra de noz moscada (+/- a ponta de uma colher de café de cada)
  • 30 ml de vinho branco (usei moscatel)
  • 20 ml de aguardente
  • 1 colher de chá de fermento em pó (na receita original não tem)

Preparação:

Bater as claras em castelo e quase no final adicionar-lhes 60 g de açúcar, reservar.

Bater as gemas com a margarina e o restante açúcar até ter uma massa esbranquiçada, adicionar a farinha, o fermento, o cravinho, a noz moscada, o vinho e a aguardente e por fim as claras batidas.

Levar ao forno quente em formas untadas durante cerca de 15 minutos ou até estar cozido.

 

Notas:
Para os mais gulosos, disseram-me que algumas das especialidades do Convento podem ser adquiridas na Pastelaria Faruk que fica no Largo D. Dinis, mesmo junto ao Mosteiro, tenho que passar por lá brevemente.

Bolo D. Dinis da Pastelaria Quebra-Nozes em Odivelas

Destaco também o "D. Dinis" vendido na Pastelaria Quebra Nozes que fica junto à Rodoviária em Odivelas, que já provei e recomendo, existe em versão individual e também em versão familiar.

A receita original dos queques é do Livro de Receitas da Última Freira de Odivelas e foi ligeiramente adaptada por mim.

A textura destes bolos não se assemelha em nada à dos queques habituais, não sei exactamente porquê mas ao fim de uns minutos fora do forno encolheram e ficaram parecidos com queijadas, se algum perito em pastelaria souber o porquê aguardo um comentário para poder rectificar a receita, no entanto o seu sabor é extraordinariamente bom devido ao uso das especiarias. Desta vez as "cobaias" provadoras de serviço foram as minhas colegas de trabalho.

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publicado às 16:07

Aletria - Um doce com história

por Moira, em 23.08.09

Do árabe al-irtiâ ou simplesmente itriya, é a palavra usada para designar massa.

No "Libre de sent soví" de autor anónimo e escrito em catalão no século XIV,  há uma referência a "alatria" em duas receitas de origem árabe, numa delas a aletria era cozinhada em leite de amêndoas e mel.

Por isso a aletria portuguesa, tem origem na longínqua história da península ibérica, anteriormente designada por Al-Andalus, faz-se um pouco por tudo o país, com mais ou menos massa, com ou sem gemas, nas Beiras a aletria é de consistência compacta, para se poder cortar à fatia, já no Minho a sua consistência é mais cremosa.

Esta receita foi-me dada por uma senhora que tem um restaurante na Buraca (peço desculpa mas esqueci-me do nome do Restaurante), que conheci quando a minha mãe esteve recentemente internada no Hospital Curry Cabral em Lisboa. As quantidades foram mais ou menos a olho e feitas de memória já que perdi o papelito onde escrevi a receita original, de qualquer das formas os meus agradecimentos sinceros, a receita foi do agrado de todos.

aletria

Aletria

Ingredientes:

  • 350 g de aletria (cabelo de anjo)
  • 300 g de açúcar
  • casca de 1 limão
  • 1 pau de canela
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 1 colher de sopa de banha
  • 1 litro de água
  • 1 litro de leite quente
  • 6 gemas de ovo
  • canela para polvilhar

Preparação:

Levar a água ao lume com a manteiga, a banha, a casca de limão e o pau de canela, quando levantar fervura adicionar a aletria e mexer bem para a massa se soltar. Adicionar o leite quente e deixar cozer por breves minutos. Retirar do lume, bater as gemas e juntá-las à massa mexendo sempre para incorporar, levar de novo ao lume para engrossar sem deixar ferver, um minuto ou dois no máximo.

Colocar em pratos ou travessas, deixar arrefecer e polvilhar com canela em pó.

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publicado às 22:32


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