Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


História de um Goulash

por Moira, em 08.08.11

O meu amigo Fernando esteve recentemente na Áustria em trabalho de onde trouxe 3 vinhos tintos austríacos.

Era preciso fazer uma comida para acompanhar com o vinho, mas a única referência que tínhamos era que o vinho era muito seco e necessitaria de uma comida forte.

Fiz uma breve pesquisa sobre a comida austríaca e o mais típico que encontrei foi "winnerschnitzel", que é basicamente um bife de porco panado e que não era exactamente o que estávamos à procura, por isso, e tendo em conta que a Áustria em tempos fez parte do império Austro-Húngaro e dele herdou muito a nível da gastronomia, optei por um prato de influência húngara e o nosso jantar foi um goulash que traduzindo para português é exactamente um guisado de carne.

Esta é, pois, a história de uma comida que foi pensada para acompanhar um vinho e embora isso possa parecer contraditório, pois a maioria das pessoas faz exactamente o contrário, a verdade é que faz todo o sentido, pois a escolha do par errado pode arruinar uma refeição.

Os vinhos que provamos foram: um Pöltl tinto de 2005 de produção particular se a memória não me falha e um Umathum tinto, de 2009 e apesar dos vinhos austriacos não terem fama a nível internacionalmente eu gostei muito de ambos.

Goulash (para 5 a 6 pessoas)

Ingredientes:

  • 1 kg de carne de vaca
  • 500 g de cebolas pequenas cortadas em gomos
  • 2 garrafas de cerveja preta (usei superbock stout)
  • 1 nabo grande cortado aos cubos pequenos
  • 2 cenouras grandes cortadas às rodelas
  • 1 embalagem de cogumelos frescos cortados em quatro (+/- 300 g)
  • 1 colher de sopa de colorau
  • 1 colher de chá de mostarda
  • sal e pimenta q.b.
  • 6 colheres de sopa de azeite
  • 1 ramo de salsa picada (+/- 2 colheres de sopa)

Preparação:

Alourar a cebola em duas colheres de sopa de azeite e reservar.

Alourar a carne em quatro colheres de sopa de azeite, juntar a cebola, as cenouras, o nabo e a cerveja.

Temperar com sal e pimenta, adicionar o colorau, a mostarda e deixar cozinhar por cerca de hora e meia em lume brando.

Entretanto alourar os cogumelos em 2 colheres de sopa de azeite.

Quando a carne estiver tenra, juntar os cogumelos e a salsa picada.

Rectificar os temperos se necessário e deixar ferver em lume forte para apurar o molho.

Servir quente com arroz branco, batata cozida ou puré de batata.

 

Nota: Quando a carne estiver pronta, quer a cebola, quer o nabo estarão desfeitos o que fará um molho grosso, sem necessidade de adicionar farinha ou amido de milho para engrossar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:58

Almoço de Domingo à Moda Antiga

por Moira, em 21.06.11

Foi ao ler este post no Pratos e Travessas que me veio à memória uma recordação longínqua dos almoços de Domingo em casa dos meus pais, durante anos andámos por terras longínquas e a família éramos nós os quatro e o almoço de Domingo era quase sempre qualquer coisa assada no forno, sendo o frango caseiro, na maioria das vezes o rei da mesa.

Quando não havia tempo para marinadas, o frango era simplesmente assado envolto numa grande camada de sal, uma receita que esteve muito na moda àquela época e que fazia as nossas delícias, outras vezes era temperado a rigor tendo como base um tempero à base de limão, alho, sal, colorau e azeite. Lembro-me de ver a minha mãe a pôr tudo no almofariz e depois deixava-nos pisar o alho até obter uma pasta com que barrava o animal.

Com o passar dos anos a ementa de domingo foi mudando, consoante as modas ou a vontade da cozinheira, no entanto ao ler o post da Mónica eu não tive dúvidas que teria que fazer frango assado para matar as saudades do frango assado da minha mãe.

Apesar do tempo que passou, o frango assado continua a saber-me melhor quando temperado de forma simples, não tem sabedoria nenhuma, creio que cada uma de nós tem a sua receita, esta é a minha, qual é a vossa?

Frango Assado

Ingredientes:

  • 1 frango
  • 3 dentes de alho
  • 1 raminho de coentros
  • 1 raminho de salsa
  • 2 folhas de louro
  • 2 colheres de sopa de azeite aromatizado picante da Casa do Sal da Figueira da Foz
  • 1 cerveja mini
  • sumo de meio limão
  • Cenouras aos palitos
  • Batatas às rodelas
  • sal q.b.

Preparação:

Triturar o alho, com o sal, o azeite e o sumo de limão e barrar o frango por dentro e por fora com essa pasta e reservar enquanto arranja as cenouras e as batatas.

Num tabuleiro colocar os coentros e a salsa picados, as folhas de louro partidas, o frango e as cenouras regar com meia cerveja e levar ao forno quente a 200 º por meia hora, de quando em vez regar o frango com o molho, ao fim de meia hora, virar o frango, acrescentar as batatas às rodelas e regar com a restante cerveja, levar de novo ao forno mais meia-hora.

Virar de novo o frango que nesta altura já deve estar assado e deixar corar mais um pouco para a pele ficar estaladiça.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:03

Sabores do Algarve e uma Sopa de Lebre

por Moira, em 11.05.11

O blog Turismo do Algarve, convidou os seus leitores a participar nos Sabores do Algarve, fiquei um pouco renitente em participar, afinal a minha passagem pelo Algarve foi breve e dela tenho muito poucas memórias.

Mas esta semana voltei a pensar no assunto depois de folhear o livro do José Vila, Sabores da Cozinha Algarvia.

Este livro, mais que um livro de cozinha é um livro de saberes e tradições algarvias, em que as receitas são apenas um complemento.

É impossível dissociar José Vila do Vila Lisa, um dos mais emblemáticos restaurantes algarvios que seguramente marca quem por lá passa.

Fica situado na Mexilhoeira Grande, entre Portimão e Lagos, o local é humilde, mas só no aspecto, a sala tem mesas e bancos corridos, não existe ementa e os pratos desfilam consoante os ingredientes e as estações do ano, mas surpreendem até o mais exigente dos comensais ou não fossem eles confeccionados com amor.

Foi há alguns anos, durante umas mini férias antes do início da época balnear, em que fiquei alojada ali mesmo à beira do Vila que comecei a notar uma afluência enorme àquela casa pequenina, resolvi indagar o que se passava, foi assim que, no dia seguinte saí mais cedo da praia, banhos tomados, fomos dos primeiros a chegar e logo percebemos que a noite nos tinha reservado um maravilhoso repasto.

Não me lembro exactamente da sequência com que serviram os pratos, nem do número de pratos que provei, apenas que eram muitos, foi há muito tempo mas a experiência perdura na minha memória até hoje.

E para provar que o Algarve não é só sol e mar, a receita de hoje é um prato de caça e foi adaptada do livro Sabores da Cozinha Algarvia, editado no final do ano passado e que é uma reedição do Livro Coisas da Terra e do Mar originalmente publicado pelo Autor.

Sopa de Lebre

Ingredientes:

  • 1 lebre cortada aos pedaços pequenos
  • 200 g de bacon gordo
  • 1 cebola
  • 1 ramo de salsa
  • 1 copo de vinho branco
  • 1 colher de sopa de azeite
  • 1 colher de sopa de banha
  • sal q.b.
  • +/- 1 litro de água
  • 1/2 copo de sangue da lebre misturado com umas duas colheres de sopa de vinagre
  • fatias de pão duro para servir

Preparação:

Coloca-se o azeite e a banha num tacho e frita-se o bacon, junta-se a cebola picada, a salsa e a lebre, tempera-se com sal e deixa-se refogar um pouco antes de  juntar o vinho. Deixa-se cozinhar lentamente para assimilar todos os sabores e só depois se junta a água. Quando a lebre estiver cozida junta-se o sangue, deixa-se levantar fervura e serve-se quente sobre fatias de pão. Decora-se com um ramo de hortelã.

 

Notas: A receita original pede toucinho salgado, como não encontrei à venda substitui por bacon gordo e susbtitui uma colher de azeite por uma de banha. Usei cebola nova, que nesta altura do ano abundam no mercado.

A lebre foi mais uma vez cortesia de um colega de trabalho do meu marido, e já vinha toda arranjada e cortada para fazer uma cabidela, por isso já tinha a papinha toda feita para a usar nesta receita.

 

Receita adaptada do Livro Sabores da Cozinha Algarvia, um livro que recomendo a todos os amantes da boa gastronomia regional.

Este post foi publicado no blog Turismo do Algarve em:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:23

Comida de Refeitório também é boa

por Moira, em 11.04.11

Na empresa onde trabalho temos a sorte de ter um refeitório com comida caseira, feita por duas cozinheiras de mão cheia, cuja gestão está a cargo de um grupo de trabalhadores e que serve cerca de 50 almoços por dia.

A escolha das comidas é variada e não há semana nenhuma que não tenhamos pratos magníficos.

Entre alguns dos meus pratos preferidos, destaco este Ensopado de Borrego.

Ensopado de Borrego

Ensopado de Borrego

Ingredientes:

  • 500 g de borrego partido em pedaços
  • 2 ou 3 dentes de alho
  • 1 folha de louro
  • 2 ou 3 folhas de hortelã
  • 1 colher de sobremesa de colorau
  • raspas de noz moscada (uma pitada)
  • sal e pimenta q.b.
  • 250 ml de vinho branco
  • 250 ml de vinho tinto
  • 1 cebola grande
  • 2 colheres de sopa de calda de tomate
  • 3 colheres de sopa de azeite

Preparação:

Temperar o borrego com alho, louro, sal, pimenta, salsa, hortelã, colorau, noz moscada, vinho branco e vinho tinto e deixar a carne nesta marinada de um dia para o outro.

No dia seguinte colocar no tacho um pouco de azeite, cebola picada, calda de tomate e a carne, deixar estufar em fogo lento, adicionar um copo de água se necessário. Quando a carne estiver quase cozida, adicionar a marinada e deixar ferver mais um pouco para apurar.

Servir quente sobre fatias de pão torrado e acompanhar com batata cozida com pele.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:38

Das Minhas Memórias

por Moira, em 22.03.11

Toda a nossa vida é um somatório de memórias, mas aquelas que permanecem inabaláveis no nosso coração toda uma vida, são quase sempre as memórias de infância.

Parte da minha infância foi passada com a minha avó paterna que era uma óptima contadora de histórias, passei anos a ouvi-las até quase sabê-las de cor mas nunca as escrevi e a minha memória traiu-me, tendo assim perdido grande parte desse espólio maravilhoso que eram as histórias da minha avó.

A minha avó foi costureira e bordadeira durante muitos anos, aprendeu a bordar e a costurar muito nova numa Singer a pedal que ainda hoje sobrevive e trabalha em casa da minha mãe.

Nos seus tempos livres a minha avó dava explicações e preparava miúdos para o exame da 4ª classe (que era obrigatório e levado muito à séria), havia uma sala com várias mesas e cadeiras, um mapa de Portugal na parede, um globo, um crucifixo e um quadro com  uma fotografia do Marechal Carmona, tal como nas escolas públicas havia um intervalo para lanchar que aquilo de fazer contas e redacções dava uma fome tremenda.

Ainda não havia "Bolicaos", nem "Kinderbueno", não se comia pão com "Nutela", e lá por casa nem sequer se comprava o famoso "Tulicreme", os lanches consistiam na maioria das vezes por pão com marmelada, caseira, bem entendido que acompanhava um copo de leite gordo que nos deixava com bigodes e se comprava habitualmente numa vacaria que havia ao cimo de um monte próximo, quanto ao pão era comprado na padaria do bairro e cozido em fornos a lenha.

Os meus lanches variavam consoante a vontade da avó, o que havia disponível e o meu apetite, que na altura era muito pouco, eu era uma miúda de aparência escanzelada e magricela que gostava muito pouco de comida, fosse ela qual fosse.

Nessa altura, apesar de não ser amiga de comida, havia duas coisas que eu adorava, gemadas e pão com manteiga e açúcar, e a minha avó dava-me pois sabia que aqueles seriam provavelmente os alimentos que me fariam mais proveito durante o dia.

O tempo passou, os meus pais emigraram para África, não só para fugir ao antigo regime, que por lá não se fazia sentir da mesma maneira, como para tentarem uma vida melhor.

Eu tinha 11 anos quando regressamos a Portugal nos finais de 1974, com o triste rótulo de retornados e tendo que recomeçar tudo do zero.

Nessa altura a minha avó vivia nos arredores de Lisboa e a sua casa acabou por ser o nosso porto de abrigo durante algum tempo até os meus pais arranjarem emprego.

Ela criava coelhos, patos e galinhas, cultivava couves, alfaces, favas, ervilhas e outras coisas mais, num pequeno quintal que havia por trás da casa, garantindo assim uma alimentação minimamente saudável e bastante menos dispendiosa.

De vez em quando, o meu avô que andava sempre por fora trazia caça que os amigos lhe davam, e era uma festa. Os fins de semana eram pacatos e quase sempre passados em família.

A minha avó paterna não era uma cozinheira exímia, mas cozinhava de tudo um pouco de forma trivial, lembro-me especialmente de duas receitas que ela fazia quando os primos de Benfica vinham almoçar, canja de coelho, uma coisa à qual nunca me consegui habituar e coelho estufado com vinho que era servido sobre fatias de pão frito.

Como noutro dia ofereceram duas peças de caça ao António, peguei num coelho bravo e resolvi com ele capturar as minhas memórias e com a receita da minha avó paterna participar no passatempo "Conta-me a tua receita", organizado pelo Cinco Quartos de Laranja com o patrocinio da RTP a propósito do lançamento do Livro Conta-me como foi - As receitas da Família Lopes.

Foi assim que tirei do armário os naperons de renda tão frequentes na época e a velhinha travessa de esmalte da minha avó, gasta pelo tempo e pelas memórias de comidas passadas para apresentar a comida de hoje.

Coelho Bravo com Vinho

Ingredientes:

  • 1 coelho bravo
  • 3 dentes de alho
  • 1 raminho de salsa
  • 1 folha de louro
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • 1 colher de sopa de banha
  • 1 colher de chá de colorau
  • 2 copos de vinho branco (usei vinho tinto caseiro de cor idêntica a um rosé)
  • sal e pimenta q.b.

Preparação:

De véspera temperar o coelho com os dentes de alho, o louro, o colorau e um copo de vinho branco.

Num tacho colocar o azeite e a banha, quando a banha derreter colocar os pedaços de coelho reservando a marinada, temperar com sal e pimenta, pôr o raminho de salsa inteiro no  tacho juntamente com o restante vinho branco, tapar e deixar cozinhar lentamente, se necessário acrescentar um pouco de água. O tempo de cozedura do coelho bravo não é certo depende da carne, há umas mais tenras e outras mais rijas, a única forma de ver é ir espetando um garfo. Quando o coelho estiver quase cozido acrescentar o molho da marinada coado e deixar levantar fervura mais 10 minutos a 15 minutos. Se gostar pode engrossar o molho com um pouco de farinha, mas eu não o fiz. Servir sobre fatias de pão frito ou torrado.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:49


WOOK - www.wook.pt


Fotos no Flickr




Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Tradutor



Também estamos aqui

Facebook

Tertúlia de Sabores da Moira

Divulga também a tua página


Instagram

Instagram


Pinterest

Pinterest


Networked Blogs


Eventos na Blogosfera

World Bread Day

World Bread Day, October 16, 2017 World Bread Day 2016 (October 16) World Bread Day 2015 (October 16)


Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D